Ninfomaníaca, 2014.




Porque  eu sofro, me encontro e me desencontro com os filmes de Lars Von Trier


Quando comecei a  escrever este ensaio  ainda não tinha tido  a oportunidade ou quem sabe a coragem de assistir ao esperado  e comentado Ninfomaníaca (2014), longa-metragem do polêmico, criativo e audacioso Lars Von Trier. Lendo as críticas e ouvindo os  comentários de alguns amigos, convenci-me que o filme apesar do título, e do marketing prévio,  não é uma espécie de  pornô cult, tal como alguns críticos definem  o Nove Canções (Michael Winterbotton, 2005). Reproduzindo  os ditos de José Geraldo Couto para o blog Instituto Moreira Sales  “não é um filme de sexo ou sobre sexo”, é mais umas das produções  de Von Trier  que escancaram  os conflitos, os sentimentos poucos nobres, que nós meros seres humanos nos deparamos e estamos sujeitos a confrontá-los em alguns momentos da nossa pretensa existência.
Se  Terrece Malick com a sua fotografia exuberante, com a sua formação filosófica, com a sua calmaria,  leva-nos  a acreditar que apesar  dos percalços, o Amor, algo imprescindível para nossas vidas, para a consolidação das nossas relações,  permanece vivo, manifesta-se como algo possível e, principalmente, como o essencial. Von Trier  com uma perspectiva que acaba sendo esvaziada, mal interpretada  se nomeada como  “pessimista” nos joga na cara situações  que nos tiram da nossa zona de conforto, situações  que dependendo do nível de sensibilidade dos espectadores  geram consideráveis mal-estares. Mas esses mal-estares fazem parte da nossa experiência como  tais, e tornam as obras de Lars Von Trier não apenas polêmicas, provocativas, mas também catalisadoras  de encontros e desencontros com nós mesmos, com experiências passadas, ou com aquelas que permanecem latentes em nosso presente.
O meu primeiro contato com a produção do referido cineasta deu-se recentemente, em 2011, assisti na mostra realizada pela Cinemateca  Breaking The Waves (1996), traduzido para o  Brasil, como Ondas do Destino,  categorizado pela pesquisadora da Universidade Federal da Bahia Virginia José Silva Rodrigues  como um melodrama, sim um melodrama, o qual desde que o cinema é cinema continua “comovendo”, comunicando-se  “efetivamente” com o grande público, derramando lágrimas dos mais sentimentais, categoria a qual me enquadro.  A linguagem melodramática repudiada por uma ala fascinada e admiradora das estéticas e movimentos cinematográficos modernos movimenta uma parte significativa do mercado cinematográfico e televisivo. Como bem destaca  Silvia Oroz em seu livro sobre  a produção de filmes de melodrama na América Latina,  o grande público gostava/gosta dessas produções, porque identifica-se com elas. Aliás,  restam algumas dúvidas de que nas suas devidas proporções  as nossas vidas ou de alguns de nós  às vezes, ou quase sempre,  são melodramas? Que atire a primeira pedra aquele que não suspirou pelos cantos por causa de uma paixão, e que se descabelou, feriu-se por causa da mesma, deparou-se com situações inusitadas, com situações desesperadoras, quem de nós não viveu  ou está vivendo nesse exato momento dramas “existências”? Quem de nós não consegue esquivar-se de alguns clichês? Enfim.
E logo, identifique-me com a personagem Bess Moneill (Emily Watson), não em tudo é claro, mas algumas de suas perspectivas, e lamentei o futuro trágico que a esperava, o qual progressivamente Lars Von Trier  nos revela a cada um dos seus capítulos, esses um dos principais elementos  que imprimem uma das muitas singularidades que caracterizam suas  obras.
Para os que não assistiram, recomendo, mas adianto que sou extremamente suspeita.  Bess é uma jovem que “sofre” ou é “dotada” de uma hipersensibilidade  mora em um  vilarejo no norte da Escócia  impregnado de moralismos  arcaicos e hipócritas, um grupo social gerido por uma lógica patriarcal.  A  “menina especial”, uso o adjetivo especial  não no sentido que ele adquiriu para nos referirmos às pessoas que sofrem de algum tipo de deficiência, mas no seu sentido stricto sensu,  dependente das aprovações e dos perdões de Deus,   deixa-se manipular-se pelo desejo de seu “moribundo” e amado marido.  Resumindo, após um trágico acidente de trabalho em uma plataforma petrolífera, Jan (Stellan Stargarf)  acaba perdendo os seus movimentos e fica sujeito à morte.
Ele incapacitado de manter as relações sexuais cotidianas com a sua esposa, de cumprir com a sua função de homem saudável e viril, pede a Bess que transe com outros homens, que “faça amor” com desconhecidos e depois relate a ele como foi a experiência. A convence, dizendo que essa seria uma forma de curá-lo, de mantê-lo vivo.  Bess em um primeiro momento estranha o pedido do marido, mas  com  todo amor que nutre por ele  acaba deixando-se convencer e gradualmente acaba ficando obceca pela ideia de quanto mais ela transasse  com desconhecidos mais rápido seu querido  se  recuperaria.
Quando os “atos pecaminosos”  dela tornam-se públicos, os moradores do vilarejo a  repudiam , a excomungam, não entendem que o que Bess faz é por amor, amor ao seu marido, cujo o caráter tendo a afirmar que não seja um dos mais nobres.  Todavia, a sua maneira ele nutria um amor pela sua bela e inocente Bess. Não revelarei o desfecho do filme, para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de assistir, assisti-lo, e espero que assim com eu, fiquem com a impressão, que não na forma como realiza e concebe Terrence Malick, Lars Von Trier também com  sua maneira “torta”, ou melhor dizendo,  com a sua maneira pouco convencional, nesse filme especificamente,  acredita e defende  o Amor, no poder de  “cura” que esse sentimento pode proporcionar.
A fotografia do filme, na minha perspectiva, é bem interessante, tem elementos crepusculares, claro que ela não  supera a bela e a ousada fotografia de  Dançando no Escuro  (2000 ) e Melancolia (2011) filmes que pretendo retomar em outros textos. Em várias sequências as  cenas são filmadas com a câmera na mão, tal como ele recomenda em seu Dogma 95, mas aqui não prologarei as questões referentes à  estética do filme.
 Tendo em  vista a minha semi ou plena obsessão que nutro  pelos filmes de Lars Von Trier,  oportunidades não  faltaram para que eu escreva a respeito deles, quantas vezes me surgir a necessidade de não apenas divagar   sobre aspectos que compõem seus filmes, mas de  externar sensações e sentimentos que dizem respeito a mim, pois o cinema dentre outros  efeitos que provoca em nós não é o da identificação?
 Conversando com um amigo de longa data que também adora os filmes do cineasta dinamarquês, afirmei não lembro se sóbria ou levemente embriagada com uma garrafa de Heineken, sim uma mera garrafinha, que tenho quase que  uma relação  sadomasoquista  com os filmes de Von Trier, não que eu curta tal prática sexual, como também não repudio  aqueles que a adoram. Quando faço essa  comparação  refiro-me ao  sofrimento e as angústias que alguns dos filmes deles me causam, as quais ainda bem me  são passageiras,  logo as supero, e não sei bem porque percebo que coisas bacanas e até mesmo sensacionais podem tornar-se concretas não apenas na minha vida como na de muitos outros que assim com eu  estão por ai  em suas empreitadas, em suas buscas por realizações pessoais, amorosas, profissionais e afins. Em suma, que a humanidade ainda está por aí plantando seus bons frutos. Pode parecer uma grande contravenção, mas é assim que me sinto.
Nesse momento que finalizo este ensaio já me enchi  de coragem e fui assistir  ao Ninfomaníaca, claro, escolhi um horário estratégico para não me sentir acanhada em aparecer no cinema sozinha para assistir um filme que para os desenformados  é quase ou praticamente pornográfico.  Adotei como estratégia e também porque era o único dia que tinha livre,  ir   em uma sessão de sexta-feira, cujo início estava previsto, se não me engano,  para as 14h40. As coisas não saíram conforme o planejado,  cheguei atrasada perdi as cenas iniciais do filme, as que a Joe acaba sendo violentada  e é encontrada por Seligman. A sala de cinema  estava consideradamente lotada, e é obvio, o que é de se esperar  as luzes apagadas, por acanhamento e por não enxergar bem no escuro, também não costumo enxergar no claro, a não ser que esteja com os meus óculos de quatro graus de miopia ,  acabei não indo sentar no lugar o qual tinha escolhido no momento da compra do ingresso. 
E sentei na primeira fileira,  lamentavelmente, preocupada com algumas  pessoas que ao invés de estarem  prestando atenção no filme belíssimo por sinal ,  deixando-se envolver pela experiência fílmica,  não achassem extremamente esquisito e questionassem  “O que uma moça  como ela esta fazendo no cinema sozinha?”, e principalmente assistindo a um filme cujo tema principal é a ninfomania. Não sei que espécie de moça eu sou,  digo apenas  que costumo por incrível que pareça ir ao cinema para assistir filmes, às vezes acompanhada, muitas outras sozinha. Não é apenas um entretenimento, minhas idas ao cinema  também contribuem com o meu amadurecimento profissional e, sobretudo, pessoal.
Parando  com essa espécie  de crônica  e com os meus relatos  egocêntricos,  e voltando ao filme que é o que interessa, afirmo que ele não me decepcionou, também não sabia direito o que esperar dele, sabia que haveriam muitas e  muitas cenas de sexo, e dessa vez infelizmente ou felizmente, claro que estou sacaneando,  não me identifiquei com a protagonista do filme. Tirando uma onda com um amigo (o tal fã do Lars Von Trier)  nesse dia sim  eu estava consideravelmente bêbada afirmei: “Como eu sempre me identifico com as personagens do Lars adiei minha ida ao cinema para assistir ao Ninfomaníaca  com receio de reconhecer na Joe coisas que estão por aqui em mim!”, meu amigo logo gargalhou e disse: “Cléo, você não tem nada de ninfománica! Hahahahah! ”.
(…) Deixando as brincadeiras  de lado. Fui informada por esse mesmo amigo que em algumas das cenas foram utilizados dublês de corpo, nem me dei conta disso ao assistir ao filme, achei que as cenas formam muito bem feitas, ou como almejava  Lars Von Trier ao escrever o seu Dogma 95 “ficaram bem realistas”. Soube também que as atrizes utilizaram próteses que “imitam” o órgão genital feminino.
Joe começa sua narrativa linearmente, começando pela sua infância. A sua  mãe (Sophie Kennedy Clark) é uma figura ausente desprovida de qualquer amor materno, em contrapartida, Joe mantem uma relação de amizade e cumplicidade  muito especial  com o pai (Chistian Slater), admirador de botânica,  é na relação dos dois  que percebemos a primeira manifestação de Amor nesse filme de  Von Trier.
Confesso que admiro as mulheres que conseguem lidar com o sexo de um forma mais “desencanada”, sem grandes neuras, sem surtar no dia seguinte caso o  muchacho não ligue  ou não envie  uma mensagem  meia boca no facebook. Mas o caso da Joe é outro, ela sofre de uma patologia, ela e sua amiga Alex desde criança “danadas”, por sinal,  tinham curiosidade em entender as sensações que floresciam dentro delas, e buscavam  alternativas pouco convencionais para explorar tais sensações, refiro-me a cena do banheiro, em que elas encharcam o chão   de água e passam  a deslizar sobre ele.
Assim, como em alguns outros filmes de Von Trier, Ninfomaníaca está organizado em oito capítulos.  E ficamos sabendo da história de Joe a partir de  flashbacks das experiência que ela relata a Seligman (Stellan Stargard) homem solitário,  que a acolhe machucada  em sua casa. E de certa forma, esse também relata algumas das suas. Tenta convencê-la de que ela não é uma pessoa tão ruim tal como ela se julga. Seria  um grande relapso de minha parte não mencionar que a Charlotte Gainsbourg, atriz que atou nos filmes até agora mais “importantes” de Von Trier, nos que tiverem maior “visibilidade”, que acaloraram as discussões entre os críticos e os cinéfilos de plantão: Anticristo (2009) e Melancolia (2011), mostra-se mais uma vez fantástica como atriz.
As sapecas garotinhas crescem e começam a por em prática as suas buscas em satisfazer os seus desejos sexuais, na cena do trem elas fazem uma aposta para ver quem consegue transar com mais homens.  E assim segue a vida dessas duas garotas – Joe (Stacy Martin)  e Alex - que tentam doutrinar outras moças a seguirem as suas “seita”, a  regra número 1 a mais importante de todas: “Jamais transar duas vezes com o mesmo cara”. Joe, assim como alguns homens que existem por aí,  aprende a dizer tudo aquilo que eles querem ouvir, fazê-los sentir  especiais, pobre são os rapazes que caem na conquista da bela e ninfomaníaca Joe, cujo o único interesse que nutre por eles  é satisfazer seus desejos sexuais, dentre um deles está o jovem judeu Jerôme (Shia Labeouf).  Alex a seguidora mais fiel e líder  da seita rende-se aos encantamentos do Amor, quebrando a tão necessária regra número 1. Com toda convicção afirma para sua amiga Joe “O ingrediente secreto do sexo é o amor!”. E não é que mais uma vez nos  deparamos como o Amor nesse filme Lars Von Trier, a mais  sedenta por sexo, a mais desprovida de qualquer amarra  e couraça moral, apaixona-se, e opta por não mais seguir os preceitos e as práticas  de sua “seita”.
Joe por sua vez  passa a seguir sua empreitada ninfomaníaca sozinha, até que se dá conta que  foi infectada pelo mesmo veneno  de sua amiga Alex,  por uma armadilha do destino acaba indo trabalhar na empresa da família de  Jerôme, rapaz ao qual fiz referência anteriormente, ele magoado pelo fato de ser sido enganado, tendo a como sua funcionária passa a ter  todas as oportunidades  para  vingar-se, como seu chefe a expõe a várias situações de humilhação.
Com o passar dos dias, com a convivência, apesar dos abusos de poder e humilhações cotidianas,  Joe percebe que algo de diferente ocorreu consigo, sim, Joe  apaixona-se por Jerôme, como ela mesma afirma, passa a enxergar no caos uma ordem, e isso momentaneamente a agrada, da mesma forma que  a assusta. Pois a única relação de afetividade que a personagem de Lars Von Trier tem é com o seu pai, que no meu ponto de vista, cumpre um papel de coadjuvante na trama do filme, todavia, importante porque ele é  a única pessoa antes de Jerôme por quem Joe conseguia nutrir sentimentos afetivos.
Todavia, o Amor de Joe por Jerôme não se concretiza, ela mal consegue declarar-se, ao chegar ao escritório com a intenção de entrega-lhe uma carta revelando seus sentimentos descobre que ele foi embora e decidiu-se casar-se com a sua secretária. Diante do seu  fracasso nas instâncias do Amor, Joe decide que irá seguir religiosamente e de forma exaustiva e  obsessiva os preceitos da seita que outrora ela e Alex eram as principais  membras.
Diria que nesse filme a câmera aproxima-se e afasta-se em algumas situações  como se ela assim como em Breaking The Wages  estivesse nas mãos de  Lars Von Trier ou na de seus cinegrafistas. Ela é reveladora, incisiva, não como as dos filmes pornôs que dão closes up constrangedores nas penetrações  durante os atos sexuais.  Ela é reveladora e incisiva com relação a Joe, com relação ao seu prazer  durante o ato sexual,  ao seu sofrimento, ao seu não lugar no mundo, a sua ausência consigo mesmo.  Por mais que em alguns momentos no diálogo que ela traça com Seligman  nos são reveladas características que nos fazem precipitadamente concluir que ela é mesmo um ser egocêntrica, que não se preocupa com as pessoas, que não consegue nutrir bons sentimentos por essas, acabamos, ou pelo menos, eu acabei sentido “pena” dela. Pois, o que ela  é , é algo que foge ao seu controle  ou até mesmo a sua essência.
Não acredito que Lars Von Trier tenha lidado com sexo nesse  filme de forma banalizada e constrangedora, na minha perspectiva, ele tratou dele a partir de um viés ainda pouco explorado pelo cinema. Uma opção acompanhada por uma estratégia ousada que como percebemos deu muito certo, tendo em vista o tempo que o filme permaneceu nas salas de cinema do grande circuito e na expectativa que paira entre nós para a estreia da segunda parte, para então, tomarmos ciência  qual o “fim” ou “novo início”  que Von Trier reserva a  Joe.
A morte de seu pai aparentemente não causou o sofrimento esperado, mas na minha leitura Joe a sua maneira sentiu dolorosamente a perda do pai. Quando reencontra Jerôme, agora separado e ainda apaixonado por ela, nós espectadores acostumados com algumas convenções e clichês do cinema norte-americano, acreditamos equivocadamente que agora Joe, com o seu amor, seguirá por novos caminhos, quais seriam esses eu não sei, talvez o da monogamia, ou aqueles  dos finais felizes que tanto nos agrada e nos convém.
A cena de sexo entre os dois é dotada de uma delicadeza, cheia de detalhes, de toques,  de nuances que não me soaram pornográficos, nem constrangedores. O que talvez tenha me feito encarar essa cena dessa forma é o fato de saber que ambos estavam apaixonados. Assim como Alex,  também defendo que o melhor ingrediente do sexo é o amor. Mas Lars Von Trier não é um sujeito adepto às convenções de lugares comuns que tanto contaminam algumas produções cinematográficas. E logo somos surpreendidos, com o choro rasgado e desesperado de Joe, confessando a Jerôme que não consegue sentir nada. Então quer dizer que Lars Von Trier tirou uma onda com a nossa cara, querendo dizer que o Amor e o Sexo são instâncias separadas, que às vezes a combinação entre eles não dá muito certo? Não sei, mas a princípio acho que não, às vezes prefiro não ter algumas certezas, para ficar aberta a diferentes possibilidades de compreensão de um determinado fato.
Não acho que esse filme seja extremamente pessimista e que tenha como  principal objetivo chamar  atenção para a “ruína da humanidade”. É um filme, que dentre outros aspectos, lida de forma escancarada com a sexualidade feminina, claro que há uma patologia nisso. Não me identifico em nenhum aspecto com a  Joe, mas acho que consigo entendê-la, não julgá-la por antecipação.
Discordo plenamente da afirmativa de José  Geraldo Couto ao escrever que: “ Lars von Trier optou por encarar o drama humano com humor, sem perder a gravidade. Seu cinema, de certo modo, é uma versão engenhosa e complexa do dito popular ‘a gente sofre, mas se diverte’.”[1]
Encarar a obra de Lars Von Trier a partir dessa perspectiva é uma péssima  simplificação que tende a deixar os fãs do cineasta um tanto quanto que injuriados. Conforme já havia escrito, não se trata  apenas de sofrimento e muito menos de divertimento, tratam-se se reflexões profundas, de provocações, de “socos em nossos estômagos” que nos fazem sair da nossa zona de conforto, e nos fazem de forma egocêntrica  olharmos para nós mesmos, e até mesmo de forma mais complacente e humana para as outras pessoas que nos rodeiam, são encontros e desencontros,  e vice-versa.
Espero aqui ansiosa pela continuação do filme, e tentarei dessa vez, assim como tão bem o faz Lars Von Trier, me esquivar de algumas convenções e moralismos existentes em nossa sociedade, e irei assistir ao filme sem qualquer tipo de acanhamento, estratégia ou receio com relação ao olhar alheio. Não sou ninfomaníaca,  mas gosto de falar, ler e escrever sobre sexo, e é claro de sua práxis.


Cleonice Elias










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