A Viagem é um dos grandes filmes que chegaram aos cinemas no fim desse ano (estreando no Brasil dia 11/1) e traz aquela velha discussão sobre as obras dos Irmãos Wachowski (um deles, agora, irmã). Muita gente acha que eles fazem o suprassumo do cinema contemporâneo, com suas obras repletas de filosofia e questões transcendentais. Quando precisam desenvolver suas ideais (e acham que não vai caber em um único filme de quase 3 horas de duração), eles fazem uma trilogia: assim nasceu Matrix, em 1999. E assim eles também assassinaram o filme em 1999, quando resolveram transformá-lo em uma trilogia. Adoro Matrix. De verdade. Acho uma ideia bem legal, mesmo que já tenha sido explorada antes algumas vezes no cinema e na literatura. O filme é excelente e deveria ter acabado nele mesmo, só fazendo-se um. Mas quiseram "dar respostas" e afundaram o barco: Matrix Reloaded e Matrix Revolutions (2003) são duas grandes obras do Cinema que nos ensinam como encher linguiça em dois filmes, esticando-se uma ideia ao máximo, fazendo perder toda a sua essência inicial.
Felizmente, A Viagem é um filme só (até onde eu sei; e espero!). Os irmãos aprenderam que podem, sim, fazer uma lambança fútil em apenas um filme, sintetizando suas "maravilhosas" ideias que devem agradar aqueles que frequentam as sessões de auto-ajuda das livrarias. Vejam que "maravilhoso": A Viagem conta seis histórias paralelamente, mas que, de algum modo, se cruzam e se complementam. Temos uma aventura nos EUA de meados do século XIX, onde um rapaz aristocrata luta para libertar um escravo negro. Temos uma história de amor entre dois homens no período pós-Segunda Guerra na Escócia, sendo que um deles trabalha com um famoso compositor e, sob sua tutela, acaba por se tornar famoso ao compôr a sua sinfonia "Cloud Atlas" (de onde deriva o nome do filme, mas que não faz sentido algum no contexto da obra). Temos um futuro muito, muito distante onde uma pesquisadora de outro planeta chega à Terra e ajuda uma tribo a encontrar um novo lar. Temos, em 2012, um grupo de velhinhos liderado por um editor que foge de uma casa de repouso. Temos uma jornalista que, em 1973, descobre uma trama envolvendo poderosos do ramo da energia nuclear. E, por fim, temos, em 2144 na Coreia, uma garota fabricada que lidera uma revolução e se torna uma espécie de deusa para aquele povo que vive no futuro muito, muito distante que já mencionei.
Não tenho nada contra sambas do crioulo doido. Até gosto. Mas o problema é que o filme dos Wachowski é prepotente demais. Quer ser profundo sendo raso. Quer ser inteligente confundindo. Quer se mostrar como algo extremamente filosófico, um "ciclo" do qual, pelo jeito, não podemos fugir nunca, mas se torna maçante. É um filme sobre carma, sobre como tudo está relacionado de acordo com nossas ações (em vidas passadas ou no presente). Aí tiveram a ideia "genial" de usar 6 historietas pra explicar isso (e sem solucionar muito bem, diga-se de passagem). Tudo se tornou um teste de paciência. Mesmo sendo visualmente incrível, A Viagem decepciona por querer ser mais do que realmente é. Por sinal, mais uma vez as "autoridades" que traduzem títulos de filmes aqui no Brasil fizeram um trabalho pífio: o título traduzido não tem sentido algum; seria a mesma coisa de começarmos a chamar filmes como "A História" ou "A Narrativa"... Esse é um filme que precisa ter o título original traduzido, mesmo que, na obra, a sinfonia não tenha importância alguma.
De mérito, apenas as maquiagens, que fazem com que os diversos papéis vividos pelos mesmos atores durante o filme (lembrem-se, o carma) ganhem uma realidade bem grande. E quando o que há de melhor num filme é a maquiagem...
Eis que chega aos cinemas o último grande lançamento de 2012 ("último" no sentido blockbuster, pois ainda falta As Aventuras de Pi e A Viagem - postergada para o início de janeiro aqui no Brasil). O Hobbit chega com status de gigante, em todos os sentidos: sendo exibido em salas gigantes, tendo público gigante e tendo duração gigante.
Antes de mais nada, devo confessar que sou muito apaixonado pela obra do Tolkien e já a reli várias vezes. Também adorei a trilogia do Senhor dos Anéis e a vi diversas vezes no cinema e tenho todas as edições lançadas em DVD e Blu-ray. Sou fã. Mas nem por isso fico cego aos problemas existentes tanto na trilogia antiga como nesse filme novo. É normal que existam problemas em filmes de grande porte e que envolvam somas astronômicas de dinheiro: isso deve ser relevado. O primeiro filme do Senhor dos Anéis tem um aspecto que sempre me incomodou, a edição: são cortes muito secos e não dá a mínima noção do quanto tempo que a irmandade ficou viajante pela Terra-Média. Felizmente, em O Hobbit não há esse deslize e tudo leva o seu tempo. Talvez tempo até demais.
A nova obra de Peter Jackson é um filme bom, que vale o ingresso. Mas fica por aí. Não adianta todo esse frenesi sobre o filme, com muita gente (ou fã fanático) dizendo que é um dos melhores filmes do ano. Não é. Está longe de ser e, infelizmente arrisco dizer, nem a trilogia, quando completada, será um marco no Cinema como foi O Senhor dos Anéis. Um dos principais problemas de O Hobbit está naquilo que, talvez para a maioria das pessoas, seja o seu grande mérito: a literalidade. É tudo muito literal, tudo muito baseado no livro - embora com algumas coisas a mais aqui e acolá. No geral, me pergunto: vale a pena fazer um filme que é quase uma transcrição do livro? Praticamente o tempo que você gasta lendo os 6 primeiros capítulos do livro equivale à duração do filme. O Hobbit, então, é um "livro em movimento". Muito bonito visualmente, muito longo cinematograficamente. Não chega a ser extremamente cansativo de assistir, pois prende a atenção, mas há muitos momentos que poderiam ser deixados de fora, pra tornar a narrativa mais fluida. Tirasse meia hora de filme, seria uma obra bem mais agradável.
Começa com a opção de Peter Jackson em conectar a trilogia antiga com essa nova. Desnecessário, mas é uma opção do diretor. Assim sendo, somos apresentados ao Bilbo velho um pouco antes da festa em que acontece seu sumiço na Sociedade do Anel. Nesses primeiros minutos (que poderiam ser mais curtos) Bilbo conta a história de como Smaug destruiu a antiga Erebor e afugentou os anões da Montanha. Tudo muito bonito e que ganha uma dimensão incrível quando visto em IMAX: achei ótima a reconstituição da cidade dos anões, embora no livro sempre apareça bem mais simples.Tendo narrado o prólogo, Bilbo começa a lembrar o seu primeiro encontro com Gandalf e é assim que o filme, de fato, começa. Há o famoso diálogo do "bom dia" entre o mago e o Bilbo de 60 anos atrás e isso é legal de ver na tela. Também é legal ver a chegada dos anões, embora eles tenham ficado mais parecidos com homens do que com o próprio povo: Thorin Escudo-de-Carvalho, por exemplo, em nada lembra um anão - está mais para a versão Aragorn em O Hobbit. E é aí que começam, pra mim, os grandes problemas no filme.
Quem viveu no planeta terra nos últimos 10 anos assistiu ao primeiro filme da trilogia d'O Senhor dos Anéis. E quem vai ao cinema assistir ao Hobbit, verá o mesmo filme! Incrível como Peter Jackson não teve vergonha na cara e usou a mesma estrutura narrativa do SdA nesse filme, incluindo tomadas idênticas. Sabe aquela batalha do começo do SdA entre elfos, homens e o exército de Sauron? Pois é, a batalha em Erebor no começo do filme é igual, com o voice over. Lembra de Moria, com a Sociedade fugindo pelos corredores e escadarias? É a fuga dos anões e Gandalf pelas Montanhas Sombrias. E quando Gandalf fica preso na torre de Saruman e conversa com a mariposa? Mesmo tendo essa cena no livro do hobbit, ela é filmada exatamente igual a dez anos atrás! Aquele esquema Condado-Floresta-Valfenda-Montanha com Orcs-Ermos se mantém também: não seria problema, pois no livro é assim, mas o desenvolvimento das cenas é praticamente igual ao de SdA. Ou seja: inovação narrativa não foi o que Peter Jackson quis. Uma pena... As vozes dos trolls e do Grão-Orc também são um problema sério, a meu ver: em nada lembram monstros: parecem apenas com homens normais. Vou pular comentários desnecessários sobre a inutilidade da figura de Radagast e falar sobre aquilo que realmente me incomodou em O Hobbit: ele é sério demais. Tirando uma piadinha aqui e outra acolá, o tom do filme é muito pesado. Aposto que você, ao ler O Hobbit pela primeira vez, se divertiu com o livro escrito para crianças: é uma leitura agradável, leve, fluida, até mesmo bobinha - é um livro para se divertir sem maiores preocupações. Pois bem, Peter Jackson deixou isso de lado e apresenta um filme épico que, ao tentar tornar uma história simples em algo grandioso e sério, descaracterizou a obra que ele tanto quis filmar ao pé da letra. Deu um tiro no pé. Quer uma prova enorme sobre isso? Os animais não falam no filme! Muitos podem dizer "Ah, mas animais falantes, como no livro, vai tirar o tom realista da obra". E eu respondo: magos, elfos, anões, hobbits e anéis mágicos são realistas pra caramba, né?! O Senhor das Águias não fala nada (nem dá um pio, literalmente), e isso pode já revelar algo que acontecerá no desfecho do terceiro filme (ou no segundo, dependendo do teste de paciência que Jackson quiser infligir em seu público): o tordo que conta ao pé do ouvido de Bard como matar Smaug provavelmente não existirá. Até os wargs, que têm voz no livro, não falam nada no filme. Ah, é: isso se deve ao fato de O Hobbit ser um épico grandioso e sério.
Por fim, mesmo sendo um filme que não me agradou, é ótimo ver que estamos diante de mais uma revolução tecnológica na História do Cinema, e em menos de 4 anos após a vinda de Avatar: os 48 quadros por segundo. É absurdamente lindo e impressionante ter uma espécie de quadro na parede do cinema, onde tudo se assemelha à realidade. A nitidez é embasbacante e o 3D se torna quase natural aos olhos. Esse, pra mim, é o grande destaque de O Hobbit: ele dividiu o cinema em antes de depois. A tendência é que os 48 fps cheguem pra ficar, pois trazem uma qualidade nunca antes vista, embora ainda necessite de alguns ajustes (há momentos no filme em que tudo parece estar em câmera acelerada). Saldo: O Hobbit não é um filme ruim. Ele funciona como filme e deverá agradar a muita gente. Mas esse "agradar", na verdade, é apenas uma repetição daquilo que já foi feito 10 anos atrás em termos de narrativa e até mesmo de enquadramentos. Nesse ponto, preciso me desculpar um pouco com o Christopher Nolan quando escrevi a impressão do filme novo do Batman: ao menos, Nolan só copiou a mesma história do primeiro filme - Peter Jackson copiou o filme todo.
Primeiro preciso explicar o porquê de o título ser (semi)Dossiê Batman. Dentre os longas feitos com o Morcego, optei por não escrever minhas impressões sobre aqueles dois filmes que, para mim, são a mácula nas histórias do Cavaleiro das Trevas: Batman Eternamente (1995) e Batman & Robin (1997), ambos dirigidos por Joel Schumacher, que conseguiu, em dois anos, afundar a franquia Batman duma tal maneira que foi preciso fazer um reboot uma década depois. Mesmo esses dois filmes – principalmente o Eternamente – conseguindo ser melhores do que muitas obras cinematográficas de super-heróis (para verem o nível em que chegamos), Schumacher depositou todo o seu ódio para com o herói e os espectadores na produção desses longas: o mundo do Batman se tornou carnavalesco, colorido, piadístico (“BatCard, não saia de casa sem ele”), sem alma... Somente a raiva do diretor com as pessoas pode explicar tamanha destruição que causou na (quase) impecável filmografia do Morcego até então. .
Mas esqueçamos Schumacher. Para o bem de todos.
Batman chegou às telonas em 1989 pelas mãos do esquisitão Tim Burton. Um cara que amo, confesso. Os dois primeiros filmes são, essencialmente, obras de Burton: antes de serem filmes sobre o Batman, são demonstrações artísticas de seu diretor. O jeito peculiar de filmar, a trilha do Oingo Boingo Danny Elfman, a cenografia, o humor ácido e o sempre presente tom de o mundo parecer que está descompassado são marcas de toda a filmografia de Tim Burton: e isso ele levou para o Batman. O que hoje é um fato já consolidado – Burton deu novo fôlego ao Batman –, na época foi motivo de ira por parte dos fãs de HQ: muitos esbravejaram quando o diretor foi escolhido: ele havia trabalhado como animador na Disney, havia dirigido As Grandes Aventuras de Pee-Wee (1985) e Os Fantasmas se Divertem (1988), dois filmes de comédias, e, por fim, havia Michael Keaton (famoso por atuar em filmes de humor) para o papel de Bruce Wayne. Em outras palavras, a Warner contratou um diretor (genial) de filmes alegres para produzir a história de um dos heróis mais sombrios que existe. Temos de lembrar que, em 1986, Frank Miller levou o Batman a outro patamar, o de HQ para público adulto, com O Cavaleiro das Trevas: os fãs esperavam um filme pesado, e temeram que o Batman se tornasse um novo Besouro Suco (de comédia, já bastava a série dos anos 60 com Adam West e Burt Ward). Contudo, quando lançado nos cinemas, todos viram que Batman foi uma adaptação muito respeitosa, baseada (grande parte) nos quadrinhos e apresentando o lado mais dark de Burton na concepção cenográfica de seus longas.
Batman praticamente já nasceu um clássico. Os roteiristas (com Bob Kane – criador do Morcego – entre eles) optaram por levar às telas o embate entre Batman e seu arqui-inimigo Coringa (interpretado por Jack Nicholson). A trama não narra as origens do Batman, mas menciona o famoso assassinato dos pais do pequeno Bruce Wayne durante um assalto. E nessas mortes está o cerne do filme (e a sacada muito feliz de Tim Burton): o Coringa (na época Jack Napier) é o responsável pela morte dos pais de Bruce. Assim sendo, temos dois “monstros”, um criado pelo outro: se o Coringa é um lunático de sangue frio que deseja mandar nas gangues de Gotham City, Batman é o cara que se veste como doido e sai à noite nas ruas para combater o crime; se o Batman culpa o Coringa pela morte de seus pais, o Coringa somente se tornou Coringa porque Batman foi o responsável por Jack Napier ter caído no tanque químico da indústria que fora assaltar. E como todo filme do Batman, nesse é o vilão quem rouba a cena: Jack Nicholson fez um Coringa que se tornou referência por quase 20 anos, somente tendo seu papel ameaçado pelo brilhante Heath Ledger no filme de 2008. Nicholson é um dos grandes mestres do Cinema, não dá pra negar. E é covardia coloca-lo ao lado de Michael Keaton, um ator meio sem sal. Para melhorar ainda mais a atuação de Nicholson, Burton chamou para fazer as canções do filme ninguém menos do que Prince: a cena da invasão no museu de Arte de Gotham é memorável. A cidade, por sua vez, ganhou aspectos sombrios que marcariam as demais obras de Burton, mas falha (devido ao baixo investimento da Warner na época, não querendo arriscar) ao não ser mais bem explorada: só há uns 3 becos, uma escadaria da prefeitura e uma avenida principal, onde ocorre o excelente desfile de bonecos infláveis quase no final do filme. E por falar no final dele, creio que a cena mais marcante de toda a obra é a que ocorre na Catedral de Gotham, onde há o fantasma do passado surgindo para Bruce e Jack, o perigo de se perder a mulher amada (Vicki Vale, a bela Kim Basinger), e o desfecho com a queda do comediante. Por sinal, em ambos os filmes dirigidos por Burton os vilões morrem no final. Mas não só eles: o Batman mata alguns capangas: um é queimado, outro é explodido e outro é jogado do alto da catedral! Posso estar enganado, mas o Batman não costuma matar as pessoas: opção de Burton e sua mentalidade.
Batman – O Retorno, de 1992, se mostrou um filme mais maduro (ao menos, para mim). Tim Burton melhorou sua Gotham City, explorando um pouco mais as ruas da cidade – e dando um belo tom de branco com a neve do Natal. Embora o primeiro filme tenha tido o Coringa, que é o arqui-inimigo por excelência, em O Retorno, Burton trouxe algo que faltou ao vilão sorridente: humanidade. Jack Nicholson é um Coringa um tanto sem alma, sem ter um porquê de agir, é uma personagem que esbarrou num roteiro falho. No segundo filme temos o Pinguim – muito bem interpretado pelo baixinho Danny DeVito –, um ser rejeitado pelos próprios pais e vivendo nos esgotos de Gotham: essa temática é explorada pelo diretor, e é isso que dá vida ao vilão. Em O Retorno é possível sentir dó da personagem do Pinguim: ele é um coitado, vítima da sociedade, um homem que apenas queria ter um reconhecimento público. Mesmo sendo cruel, não dá pra negar que a intenção dele não seja justa: e até torcemos por ele. Por outro lado, temos a “vilã” Mulher-Gato, interpretada pela linda Michelle Pfeiffer, mas que tem uma origem bem burtoniana: os gatos dão vida a ela, mudando sua mentalidade. Tudo bem, pensando bem, é ridículo, mas estamos falando do mundo de Tim Burton e, como eu disse acima, antes de tudo, os filmes do Batman são filmes de Tim Burton. Novamente devo ressaltar o papel água-com-açúcar do Morcego: o problema nem é o Michael Keaton, mas a personagem explorada de modo muito fraco pelo Tim Burton: as cenas com Bruce/Batman são as menos interessantes – elas não acrescentam nada à trama, nem ao passado do Batman. Mas se Batman está mal desenvolvido, os cenários melhoraram bastante aqui: mantendo o tom dark, a cenografia parece estar mais limpa, sem a necessidade de mascarar as coisas, esconder defeitos – alcançaram um equilíbrio perfeito entre as cores e uma Gotham City mais parecida com o mundo das HQs um pouco mais antigas. Destaque para a animatrônica do filme: os pinguins de “brinquedo” estão bem feitos, e a maquete do Zoo de Gotham também convence, mesmo quando vemos o filme em blu-ray. No geral, Batman – O Retorno encerrou a era Burton com chave de ouro. Apesar dos deslizes – que sempre ocorrem nos filmes do diretor, mas que não é demérito – é um filme mais completo quando comparado ao antecessor. E um filme mais humanizado também.
Vou agora dar um pulo no tempo e chegar até 2005, quando houve a grande volta de Batman aos cinemas após os fiascos de Schumacher. O responsável por colocar o Morcego em foco novamente foi o, até então, quase novato Christopher Nolan, que havia dirigido Amnésia (2000). Ninguém acreditava muito nesse filme: o trauma de Schumacher ainda se fazia presente, e o Batman havia se tornado uma piada no mundo cinematográfico. Eu mesmo só fui me empolgar quando vi o resultado na tela – nem o trailer me fazia crer que esse filme seria bom. Porém, conseguindo calar a muita gente, Nolan trouxe um dos melhores filmes já feitos sobre super-heróis. Batman deixou de ser aquele herói típico de quadrinho criado por Tim Burton: agora o assunto era sério, um tema mais adulto e – mérito de Nolan – Batman não parecia ser alguém irreal, uma personagem caricata, um homem vestido de morcego que poderia causar risadas na plateia. Dando mostras de um amor, uma fascinação incrível por Ra’s Al Ghul (explico o porquê mais abaixo), Nolan foi explorar as origens do Morcego em Batman Begins (2005). Como fã, foi delicioso ver meu herói tratado com respeito na telona. Usando a trama de que algo ruim (no caso, Gotham City) deve perecer para ressurgir melhor, Nolan buscou a Liga das Sombras – lideradas por Ghul – para dar corpo ao filme. Interpretado muito bem por Liam Neeson, o mentor de Bruce Wayne (vivido pelo competente Cristian Bale) é o responsável por transformar o trauma de infância de Wayne (a morte dos pais) em força, treinando-o, fazendo com que o bilionário se sentisse seguro para retornar à Gotham após 7 anos de exílio voluntário. Contudo, quando se nega a fazer justiça matando um ladrão comum da região onde esteve preso, Wayne é visto como traidor por Ra’s Al Ghul e precisa fugir para se salvar. De volta à Gotham, Bruce acaba incorporando a figura do justiceiro na cidade corrupta sob a máscara de Batman (pois o importante, segundo ele, é ser um símbolo, não uma pessoa conhecida, um herói). O primeiro trabalho mais sério que tem é o de deter o Dr. Crane – o Espantalho (Cillian Murphy) – que está ligado ao tráfico de uma droga alucinógena que espalha medo na população. Esse gás do medo, porém, está ligado às ideias de “purificação” da Liga das Sombras, sob a liderança de Ra’s Al Ghul: Gotham iria se consumir por dentro, desencadeando uma onda de pavor e violência entre a população. Com a ajuda de Gordon (Gary Oldman), Lucius Fox (Morgan Freeman), o mordomo Alfred (Michael Caine) e de sua paixão (desde a infância) Rachel Dawes (Katie Holmes), Batman consegue frear os intentos de destruição de Gotham por parte da Liga das Sombras: mas outro vilão surge ao final do filme, o Coringa.
Em 2008, Nolan retornou às telas com Batman – O Cavaleiro das Trevas. Para mim, o melhor filme de super-heróis já feito no Cinema. Se no primeiro filme Nolan teve de gastar bastante tempo para desenvolver a figura de Bruce Wayne, agora a questão central é Gotham em si. A corrupção continua, mas dessa vez entra o elemento “mundo-cão” na jogada, representado pelo Coringa (atuação impecável que rendeu Oscar post-mortem a Heath Ledger). Existem pessoas que nascem com o desejo de destruição, sem ter um motivo aparente, e que apenas querem rir de tudo, sabendo que a vida é uma piada: esse é o caso do Coringa. Com suas cicatrizes na boca, a figura do piadista já é um clássico na história do cinema: a cena em que ele mata o capanga enfiando o lápis em seu olho é impagável, sua frase “Why so serious?” já estampa camisetas há uns anos, e seus atos inconsequentes aliados ao humor fizeram do Coringa de Ledger uma personagem muito superior a de Nicholson, a meu ver. Para combater os problemas da cidade legalmente, temos a figura de Harvey Dent (Aaron Eckhart), o destemido promotor tenta acabar tanto com os crimes dentro da Polícia quanto os sérios problemas que assolam Gotham. Bruce Wayne, novamente, se vê na obrigação de usar o símbolo do Morcego (embora esteja pensando em abandonar a vida de combate aos crimes) para ajudar a cidade e, também, defender sua amada Rachel Dawes (agora interpretada por Maggie Gyllenhaal) – que namora o promotor Dent. Com as reviravoltas do filme, o Coringa consegue mostrar a Harvey Dent que ninguém está a salvo, todos têm seu lado bom e ruim, e que tudo é uma questão de perspectiva, apenas: para, definitivamente, fazer Dent entender isso, Coringa sequestra a ele e a Rachel, matando a garota e queimando metade do rosto do promotor: nascia o Duas-Caras. Desiludido com o fato de, apesar de ter lutado para o bem, ter se tornado vítima, Duas-Caras tenta se vingar do representante da polícia de Gotham, o comissário Gordon. Contudo, Batman chega ao local onde Dent tentava matar Gordon e seu filho e os salva, causando indiretamente a morte do promotor. Diante desses acontecimentos, o filme acaba com o Morcego tendo de sumir de vista, sabendo que seria acusado de ter matado Harvey Dent e combater o crime à margem da lei.
Então chegamos ao novo filme de Nolan, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), que assisti hoje. O filme aterrissou nos cinemas com status de “um dos melhores filmes do ano”, “ a maior obra de super-heróis já feita”, “a melhor parte da trilogia” etc. Porém, o que vi na tela foi um ato de covardia do Sr. Nolan. Ele vinha construindo uma obra praticamente impecável, os dois filmes anteriores eram ótimos e originais, mas realizou um desfecho fraco, repetitivo e sem motivo aparente (creio que só fizeram esse filme para lucrar mesmo). Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge sofre do mesmo mal de O Espetacular Homem-Aranha, o mal do “eu já vi isso antes, mas melhor”. E estamos falando, no caso do Batman, dos mesmos atores e mesmo diretor! Não sei o que se passou pela cabeça de Nolan, mas ele deve ter achado o seguinte: “Eu amo Ra’s Al Ghul. E se, ao invés de explorarmos o riquíssimo universo de Batman, com várias ideias e personagens bacanas, nós fizermos algo que conecte o primeiro filme ao terceiro? Seria genial, não”? Respondo: NÃO. Nolan praticamente refilmou o primeiro Batman, acrescentando personagens sem função à trama. Lembra da história da destruição de Gotham pela Liga das Sombras? Pois é, é a mesma coisa agora! Mas com Bane no lugar de Ghul. O Bane, interpretado pelo bom Tom Hardy, do filme de Nolan não tem muito a ver com os quadrinhos (não há o Veneno), mas conta com algo inusitado: sua ridícula voz que sai pela máscara. Sem brincadeiras, quando Bane fala, lembra o Geleia do Caça-Fantasmas: o discurso dele em frente ao tribunal, congresso – sei lá – perde totalmente a força pois dá vontade de rir de sua voz: lamentável esse descuido. A única coisa que realmente lembra os quadrinhos (aquele famoso problema na coluna que Bane causa ao Morcego), é a belíssima primeira briga entre ele e o Batman: sem trilha de fundo, a cena é esteticamente brilhante. Temos também Selina Kyle (que nunca é chamada de Mulher-gato, sabe-se lá porquê), interpretada pela belíssima Anne Hathaway, que, apesar do esforço de Nolan em tentar encaixá-la de algum modo à narrativa, mostra-se totalmente descartável: está claro que só foi posta no filme por que o diretor quis “brilhantemente” usar mais alguém da mitologia do Batman (sem contar que Nolan adora usar dois vilões em todos os filmes do Morcego); porém, ver a Mulher-Gato arrebitada na bat-moto é maravilhoso, e deve ser a melhor coisa desse filme. Por falar em bat-coisas, nesse filme somos apresentados a mais um equipamento revolucionário do bat-arsenal, a bat-nave, que mais parece uma bat-barata... Ela tem papel crucial no filme, principalmente no final.
Sem estragar a surpresa de quem ainda não viu, fecho dizendo: Nolan filmes dois Batmans, apenas os dois primeiros. Esse terceiro, apesar de ser um grande filme de ação, não faz jus ao Morcego e à própria obra do diretor. Digo isso como fã declarado do Batman: foi decepcionante ver que Nolan buscou uma zona de conforto para encerrar sua trilogia. Tinha tudo para ser bom, mas não foi. Se ele tivesse invertido a ordem dos dois últimos filmes, teria ficado perfeito, mas Nolan optou por ignorar (sim, ignorar) praticamente todo o segundo filme: afinal, a personagem principal da trilogia é quem? Gotham? Para com isso... Espero, sinceramente, que a Warner não retome o Batman do ponto de onde esse terceiro filme acaba, pois mais um herói (prodígio) foi descaracterizado. Já até imagino o roteiro de um quarto filme: Gotham correrá o risco de ser destruída por mais alguém da Liga das Sombras. (Por que sempre Gotham e apenas Gotham? Só ela não presta no mundo?). Enfim, Nolan se despede de seu Batman com dois acertos contra um erro: agora ele pode voltar a fazer filmes originais. Sem Ra’s Al Ghul neles, de preferência.
Porém, apesar do desfecho fraco, Nolan foi responsável por fazer os melhores filmes do Morcego. Tim Burton contribuiu trazendo super-heróis às telas, mas Nolan tornou tudo adulto, mostrando que (apesar do último filme) é possível fazer filmes de heróis com inteligência e competência. Ainda bem! Alex Martire
O que esperar de uma animação dinamarquesa, que não pertence aos grandes estúdios e que trata de guerreiros? Simplesmente uma das melhores animações que já vi!
"Ronal" é surpreendente do começo ao fim. A história narra a busca de Ronal, um bárbaro fracote, filho de Kron, pela auto-estima e libertação de seu povo. Mas some a isso um roteiro inteligentíssimo e um humor politicamente incorreto e você terá "Ronal, o Bárbaro". Não me lembro de ter rido tanto com uma animação! (A cena da escalada na torre élfica com Ronan invisível é de não se esquecer jamais). O filme simplesmente brinca com todos os estereótipos das obras de aventura feitas nos "mundos mágicos": é uma mistura perfeita entre "Conan" e "Senhor dos Anéis"!
Há muito tempo não me empolgava tanto com uma animação. Por ser de um estúdio pequeno, ela não prima pela questão técnica, mas consegue se segurar pela história, diálogos e humor impecáveis. Traz à memória todos aqueles filmes dos anos 80, quando o gênero Fantasia ainda era uma vertente poderosa no mundo do cinema, mas sendo uma animação voltada para adultos.
Não há como não se encantar por essa pérola dinamarquesa: já entrou facilmente para a lista das melhores animações que vi na vida. Divertidíssimo! Alex Martire
(Os créditos finais, com caveiras cantando heavy metal e imitando o Queen, são maravilhosos) Alex Martire
É realmente difícil falar do Martin Scorsese. Sou fã de seus filmes, todos eles sempre tão adultos, com diálogos repletos de palavrões e ritmos muito dinâmicos. Então, pela primeira vez, o Scorsese resolve banir esse fator "adulto" de suas obras e filma "A Invenção de Hugo Cabret". A competência de Scorsese já é tão gigantesca que ele pode fazer qualquer coisa que tiver em mente. E o melhor: sempre dará certo.
"Hugo" narra a história do garoto órfão vivido por Asa Butterfield (no qual temos de ficar de olho, tem tudo para ser um grande ator) que habita a Gare du Nord da Paris pós-Primeira Guerra. O menino leva jeito em consertar as coisas e, sorrateiramente, sobrevive ajustando os relógios da estação de trens. Sua vida toma um novo rumo quando descobre o segredo guardado no autômato (um boneco mecanizado), que o liga diretamente a Georges Méliès (esplendidamente interpretado por Ben Kingsley), o famoso cineasta (que na época do filme caiu em esquecimento).
Tudo bem, roteiro simples e com alguns pequenos problemas (a questão do pai de Hugo, por exemplo, fica uma incógnita). Mas o filme não seria tão bom se não fosse dirigido pelo Scorsese. Todos sabem que o diretor, antes de ser um dos melhores na ativa, é um cinéfilo de carteirinha. Ele restaura filmes, faz documentários, enfim, vive para o Cinema. "Hugo" nada mais é do que uma declaração sensível e belíssima a essa Arte de fotografias em movimento. Talvez seja até mais do que isso: é, literalmente, uma aula de cinema, resgatando os primórdios dos filmes, explicando aos espectadores como se deu a invenção dessa magia pela qual sou completamente apaixonado. É realmente de chorar ver as cenas originais dos filmes de Méliès misturadas aos "making ofs" recriados por Scorsese: como diz Méliès, é onde os sonhos são feitos.
"Hugo" pode não ser a obra-prima de Scorsese mas, certamente, é um dos filmes dele que mais me tocou, mais me emocionou. Na briga pelo Oscar desse ano temos, então, dois filmes que declaram seu amor ao Cinema, porém, diferentemente do horrível "O Artista", "Hugo" é mais sincero, menos emulador e mais amante. Se ganhar o Oscar, será mais do que merecido. Recomendado para os que amam o Cinema de coração.
(OBS: Não vi o filme em 3D, mas deu para perceber de antemão como foi planejado desde o início para ser em três dimensões - e que deve ter ficado absolutamente fantástico. Caso eu assista ainda em 3D, volto para mais algumas impressões) Alex Martire
George Lucas é um sádico que sabe como levar os fãs à falência. Sou apenas mais um dos milhares, dos milhões de fãs ardorosos de Star Wars (ou, como era chamado na minha época, "Guerra nas Estrelas"). Lembro como se fosse hoje a primeira vez que vi Star Wars no cinema: foi no relançamento remasterizado de 1997, comemoração então de 20 anos do Episódio IV. Não tive a sorte de ter visto os originais mesmo no cinema, mas nasci no ano de lançamento do Retorno de Jedi: estava predestinado a gostar da franquia.
No dia 24 de junho de 1999 eu, ainda sofrendo os efeitos de uma noite mal dormida devido à ansiedade, fui pegar a primeira sessão (era entre 10 e 11h da manhã) do Episódio I. Sentei na poltrona do canto, sozinho, e esperei o letreiro subir na tela. Como eu estava aguardando "A Ameaça Fantasma"! Tinha colecionado recortes de jornal (que guardo até hoje, na minha pasta-dossiê Star Wars) e amaldiçoava o fato de o filme, aqui no Brasil, estrear com dois meses de atraso (naquela época era assim: demorava; somente com "Matrix Reloaded" começou a haver estreias simultâneas ao redor do globo). Pois bem, o letreiro subiu e minhas lágrimas desceram: estava em êxtase, um sonho meu era realizado naquela manhã. Adorei tanto o filme que fui ver mais umas 3 vezes no cinema. E depois aluguei o VHS mais umas tantas vezes. Foi um momento bem especial em minha vida, jamais esquecerei.
Finalmente, depois de 13 anos, pude reviver essa emoção nas telonas. Milagrosamente, George Lucas não fez mudanças profundas nessa primeira trilogia, então o que está em cartaz é a recente versão lançada em blu-ray, mas em 3D. E é aí que começam os problemas...
O 3D de Star Wars é uma piada. É vergonhoso. É ultrajante. Sabe por que? Simplesmente porque quase não há sensação alguma de profundidade! O fato de o filme, originalmente em 2D, ter sido convertido iguala o Episódio I a todos os demais filmes convertidos que estão em cartaz, mas com uma diferença: quando produzido, em 1997-1998, não foi pensado para ser em três dimensões. Então não há praticamente nada que reforce a profundidade na tela. Nem a corrida de pods, nem a batalha entre gungans e os robôs: nada se salva quando convertido em 3D! O filme praticamente não mudou, o 3D não acrescentou nada. O pior é: eu, como bom fã, já sabia que seria assim... Mas, sendo fã, não dá pra perder Star Wars na telona quase IMAX e com som digital: é diversão garantida!
Mesmo sendo o filme mais "arrastado" de todos, o "Ameaça Fantasma" é um filme redondinho: ele é demorado por causa das diversas explicações e tramas paralelas que ocorrem (e que terão peso no futuro). Mas ainda dá pra se emocionar, pra se animar como criança assistindo hoje, adulto: quem não se empolga com o duelo final entre Qui-Gon, Obi-Wan e Darth Maul (de longe, um dos vilões mais mal aproveitados da história do cinema, e um dos que mais ganhou destaque, vide o poster)?! É perfeito! E é gratificante ver pais levando seus filhos ao cinema, para provarem da mesma paixão que um dia eles tiveram.
Enfim, como eu disse acima: Lucas sabe tomar meu dinheiro. Soube me enganar com essa conversão fajuta para 3D. E tenho de confessar: ainda serei enganado mais 5 vezes... Alex Martire
Adoro contos de fadas. Sou realmente apaixonado pelo tema e, vez e outra, me pego lendo algum livro com esse tipo de história. Acho que é importante não perdermos a capacidade de sonhar, de imaginar aquilo que muitos consideram impossível e, principalmente, de tentarmos nos agarrar desesperadamente a algum resquício da infância, quando tudo era repleto de pureza (e quase alheio a preocupações).
Também adoro Terry Gilliam. Confesso, sou fã mesmo e o acho um gênio. Embora não goste de Monty Python, Terry Gilliam, para mim, foi o melhor legado do grupo britânico. "Brazil", "As aventuras do Barão de Münchausen", "Contraponto", "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus"... todos excelentes, viciantes, "contos de fadas". Embora seja um dos cineastas mais azarados do mundo (afinal, o cenário de "Dom Quixote" foi destruído por causas naturais e Heath Ledger morreu durante as filmagens de "Parnassus"), Gilliam é o grande nome do cinema Fantasia para mim.
Em "Irmãos Grimm", Gilliam se mostra uma verdadeira criança. Ele brinca com todos as histórias, as lendas, e transforma os Grimm em atores de suas próprias narrativas. Muito legal! Com essa tática, Will e Jake Grimm adentram uma versão, digamos, "pós-modernista" de seus contos: eles atuam diretamente, em um recíproco processo de criação/escrita. São ótimas as cenas da Chapeuzinho Vermelho, do Homem-Biscoito, e do Beijo-do-Amor-Verdadeiro para acordar a moça do filme (longe de ser uma donzela indefesa, por sinal): tudo feito com muito carinho pelo mestre Gilliam. As atuações de Matt Damon e Heath Ledger estão ótimas, o que sempre me faz lamentar a morte precoce do último.
Revi "Irmãos Grimm" em blu-ray e o filme só tende a ganhar com a alta definição: os cenários realmente construídos ganham uma textura mais fidedigna, embora os efeitos especiais acabem por se mostrar mais "descarados" - dá para perceber onde usaram máscaras de filtros etc. No geral, a versão blu-ray vale o investimento (mesmo sem extras, coisa que tem se tornado moda no Brasil para diminuir o preço dos discos).
De resto, é apenas se deixar levar pela mão e dar uma chance às fadas. Alex Martire