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Ela, 2013.


Spike Jonze é um diretor com uma obra bastante curiosa, que geralmente desperta um estranhamento em quem assiste. Creio que Quero Ser John Malkovich (1999) seja o filme que melhor ilustra a capacidade criativa de Jonze. Até agora.

Ela é um dos melhores filmes de Ficção Científica (gênero pelo qual, confesso, tenho uma queda muito grande) dos últimos tempos. Não há espacionaves, tampouco explosões: o filme se enquadra no gênero científico por lidar com computadores em um futuro não tão distante (ou, conforme podemos deduzir durante a projeção, um futuro bastante presente). A brilhante história criada por Spike Jonze é, ao mesmo tempo, simples, delicada e encantadora. Dificilmente alguém ficará apático à vida de Theodore Twobly (interpretado por Joaquin Phoenix, que injustamente ficou fora da disputa pelo Oscar 2014 de Melhor Ator): um homem de grande sensibilidade que trabalha como escritor de cartas pessoais para pessoas que não têm, digamos, esse dom. Theodore está sofrendo de depressão pois seu casamento terminou há pouco tempo e ele não consegue seguir em frente. Desse modo, seus dias são bastante rotineiros e suas horas se passam entre o trabalho e seu apartamento. 

Porém, estamos no futuro, e a tecnologia da época vai além da que conhecemos atualmente. Todas as pessoas possuem uma espécie de celular-computador que se comunica por voz através de um fone no estilo Bluetooth. E se você acha estranho hoje em dia todos andarem curvados olhando para seus smartphones, em Ela as pessoas andam fazendo gestos como se realmente estivessem conversando com alguém a sua frente. Praticamente as pessoas não conversam entre si, preferindo seus computadores. Com Theodore não é diferente: preso em sua depressão, o rapaz acaba se isolando em seu mundo computacional. Contudo, ao andar pelas ruas certo dia, Theodore se depara com um anúncio sobre o "OS 1", o Sistema Operacional 1. Tomado pela curiosidade, o homem compra o produto e instala em seu computador pessoal. Sua vida, então, ganha novo rumo.

OS 1 é o primeiro sistema operacional inteligente do mundo, que trabalha a partir de todo o conteúdo do HD e na Nuvem do usuário. Sendo assim, o OS 1 é capaz de analisar sua personalidade e corresponder as suas emoções. Tal como os "celulares", o OS 1 se comunica por voz principalmente. E nessa hora entra a deliciosa voz de Scarlett Johansson como Samantha, a personificação de todo o OS 1. Samantha é uma pessoa (?) maravilhosa: bem humorada, cheia de vida, meiga e confidente - em outras palavras, Samantha é tudo o que Theodore precisa em sua vida no momento. A relação dos dois vai se tornando cada vez mais íntima até que, ambos, descobrem-se apaixonados um pelo outro. O filme ganha novos ares e sua delicadeza conquista os espectadores. É difícil não se emocionar com a relação dos dois e também, ao mesmo tempo, não sentir certo estranhamento pelo fato de Theodore ter uma namorada-computador.

E isso é o que mais nos faz refletir: é realmente tão estranho assim amarmos algo que não possua um corpo? O amor está essencialmente ligado a algo físico ou às emoções oriundas do relacionamento? Até os amigos de Theodore acabam aceitando o casal, pois, no futuro, a questão de Turing parece solucionada: as máquinas, realmente, conseguem se comunicar como os humanos. A paixão de Theodore o faz seguir em frente com a vida: é correto julgarmos esses passos como uma aberração se isso faz bem a ele?

Se por um lado Ela possa parecer uma crítica à sociedade atual, ou seja, o fato de usarmos mais os computadores para relações interpessoais do que "reais", por outro, também afirma: "o que importa é tentar ser feliz". Pessoalmente, sou contrário à ideia de que os computadores nos afastam das pessoas, que computadores nos fazem viver em mundos "virtuais" (ie. não "reais"): basta parar pra pensar - provavelmente hoje em dia nos comunicamos mais com as pessoas graças à internet. Isso não nos afasta dos seres humanos, mas nos aproxima. Há não muito tempo, víamos um ou outro amigo pessoalmente e, quando não, íamos a um telefone público de vez em quando para telefonarmos (ou mandávamos alguma carta): hoje é instantâneo e, além disso, conseguimos reencontrar pessoas que, alguma vez, fizeram parte de nossas vidas.

Ela tem o mérito gigantesco de nos fazer pensar. E de nos emocionar. Antes de ser favorável ou desfavorável aos computadores, o filme é uma ode ao amor. Todos nós já nos sentimos como Theodore. E, muitos de nós, talvez tivéssemos sobrevivido se houvesse alguém como Samantha para nos dar um sopro de vida.

Alex Martire




Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma 3D, 2012.


George Lucas é um sádico que sabe como levar os fãs à falência. Sou apenas mais um dos milhares, dos milhões de fãs ardorosos de Star Wars (ou, como era chamado na minha época, "Guerra nas Estrelas"). Lembro como se fosse hoje a primeira vez que vi Star Wars no cinema: foi no relançamento remasterizado de 1997, comemoração então de 20 anos do Episódio IV. Não tive a sorte de ter visto os originais mesmo no cinema, mas nasci no ano de lançamento do Retorno de Jedi: estava predestinado a gostar da franquia.

No dia 24 de junho de 1999 eu, ainda sofrendo os efeitos de uma noite mal dormida devido à ansiedade, fui pegar a primeira sessão (era entre 10 e 11h da manhã) do Episódio I. Sentei na poltrona do canto, sozinho, e esperei o letreiro subir na tela. Como eu estava aguardando "A Ameaça Fantasma"! Tinha colecionado recortes de jornal (que guardo até hoje, na minha pasta-dossiê Star Wars) e amaldiçoava o fato de o filme, aqui no Brasil, estrear com dois meses de atraso (naquela época era assim: demorava; somente com "Matrix Reloaded" começou a haver estreias simultâneas ao redor do globo). Pois bem, o letreiro subiu e minhas lágrimas desceram: estava em êxtase, um sonho meu era realizado naquela manhã. Adorei tanto o filme que fui ver mais umas 3 vezes no cinema. E depois aluguei o VHS mais umas tantas vezes. Foi um momento bem especial em minha vida, jamais esquecerei.

Finalmente, depois de 13 anos, pude reviver essa emoção nas telonas. Milagrosamente, George Lucas não fez mudanças profundas nessa primeira trilogia, então o que está em cartaz é a recente versão lançada em blu-ray, mas em 3D. E é aí que começam os problemas...

O 3D de Star Wars é uma piada. É vergonhoso. É ultrajante. Sabe por que? Simplesmente porque  quase não há sensação alguma de profundidade! O fato de o filme, originalmente em 2D, ter sido convertido iguala o Episódio I a todos os demais filmes convertidos que estão em cartaz, mas com uma diferença: quando produzido, em 1997-1998, não foi pensado para ser em três dimensões. Então não há praticamente nada que reforce a profundidade na tela. Nem a corrida de pods, nem a batalha entre gungans e os robôs: nada se salva quando convertido em 3D! O filme praticamente não mudou, o 3D não acrescentou nada. O pior é: eu, como bom fã, já sabia que seria assim... Mas, sendo fã, não dá pra perder Star Wars na telona quase IMAX e com som digital: é diversão garantida!

Mesmo sendo o filme mais "arrastado" de todos, o "Ameaça Fantasma" é um filme redondinho: ele é demorado por causa das diversas explicações e tramas paralelas que ocorrem (e que terão peso no futuro). Mas ainda dá pra se emocionar, pra se animar como criança assistindo hoje, adulto: quem não se empolga com o duelo final entre Qui-Gon, Obi-Wan e Darth Maul (de longe, um dos vilões mais mal aproveitados da história do cinema, e um dos que mais ganhou destaque, vide o poster)?! É perfeito! E é gratificante ver pais levando seus filhos ao cinema, para provarem da mesma paixão que um dia eles tiveram. 

Enfim, como eu disse acima: Lucas sabe tomar meu dinheiro. Soube me enganar com essa conversão fajuta para 3D. E tenho de confessar: ainda serei enganado mais 5 vezes...

Alex Martire


 
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