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Asas, 1927.


Asas foi a primeira obra a ganhar o Oscar de Melhor Filme, em 1929, sendo indicada após dois anos de sua estreia e ainda passando nos cinemas estadunidenses. Não assisti aos seus concorrentes, mas esse filme é um épico que merece, realmente, o destaque que teve! Tudo em Asas é bem feito e de um realismo impressionante, que em diversas vezes é mais convincente do que os filmes atuais, todos feitos com a ajuda da computação gráfica. Em uma Era pós-Primeira Guerra e pré-Depressão, Asas se destaca como o grande último filme do Cinema Mudo. E foi uma "despedida" das mais brilhantes.

Talvez Asas não fosse o que é se a Paramount não tivesse escolhido William Wellman para dirigi-lo. Na época, o estúdio estava com receio de colocar uma produção de quase 2 milhões de dólares (para os padrões da época, seria, hoje em dia, um dos filmes mais caros já feitos) nas mãos de um diretor que não tinha um nome tão forte. Porém, Wellman ficou com o cargo quando, ao ser indagado pelos chefões da Paramount qual seria sua contribuição ao filme a ponto de derrubar nomes como o de Cecil B. DeMille, o jovem diretor respondeu: "Porque eu estive na guerra e sei como são as coisas". Wellman serviu na Primeira Guerra Mundial como piloto de aviões, sendo considerado um verdadeiro ás. Devido a esse fato, Asas tem algumas cenas de batalhas aéreas mais empolgantes que já vi! 

A história é boa o bastante para segurar um filme de quase 2h30 min sem falas: é um romance desses de "amor impossível", baseado em triângulos amorosos. Em 1917, Mary Preston (Clara Bow, a maior estrela hollywoodiana na época) é amiga de Jack Powell (Charles Rogers), um jovem apaixonado por carros, mas que desejava mesmo era voar. Mary não consegue disfarçar sua paixão por Jack, e passa os dias sonhando com um beijo do rapaz. Porém, Jack é perdidamente apaixonado por Sylvia Lewis (Jobyna Ralston) que, por sua vez, morre de amores por David Armstrong (Richard Arlen). Quando a Guerra Mundial chega, enfim, aos EUA (ou melhor, os coloca na guerra), Jack e David se alistam na Aeronáutica para se tornarem pilotos de avião. Ambos são mandados para o front francês a fim de lutar contra os alemães, e testemunham  as atrocidades da guerra. Mary, sempre pensando em Jack, dá um jeito de também servir nas Forças Armadas, e se torna motorista de transporte médico. Encontros e desencontros acontecem na França, que acabam por desiludir Mary e fazendo-a retornar aos EUA. Ainda no front, Jack e David participam da famosa Batalha de Saint-Mihiel, ocorrida em setembro de 1918, na qual 50 mil soldados franceses e americanos lutaram contra os alemães nas trincheiras e no céu. Nessa batalha, acontecem alguns fatos marcantes e decisivos que afetam para sempre as vidas de Jack, David e Mary.

Filmes mudos exigem um pouco mais de paciência de seus espectadores, e uma obra tão longa como Asas poderia, facilmente, fazer muitas pessoas desistirem após alguns minutos. Contudo, o ritmo narrativo, e a história em si, são tão bons, que tudo passa voando (não pude evitar o trocadilho...)! O filme consegue mesclar a comédia, o romance e a ação de modo magistral. Não é uma obra pesada, repleta de carga dramática: há divertidíssimos momentos, como o do soldado atrapalhado na fase de treinamento, ou da bebedeira de Jack no restaurante francês. Isso que é encantador no cinema mudo: sempre há essa mescla de gêneros, não havia o "preconceito" que muitas vezes há hoje em dia. E Asas se torna ainda mais impressionante quando sabemos o processo pelo o qual o filme passou: todas as cenas de batalha aérea foram feitas no... ar! Sim, por incrível que pareça, não houve um telão atrás, com cenas filmadas passando num estúdio: aqui tudo é verdadeiro. Para tal façanha, Wellman teve de elaborar um sistema de acoplamento das câmeras nos aviões, evitando muita trepidação. E sabem quem era o responsável por filmar? Os próprios atores! Charles Rogers e Richard Arlen, pasmem, tiveram de aprender a pilotar aviões (queria ver o Tom Cruise fazendo isso para Top Gun...). Charles Rogers teve um treinamento de 98 horas e já foi posto pra filmar! Impressionante! O sistema funcionava assim: com a câmera acoplada ao avião - e depois de terem repassado as cenas com Wellman - os atores levantavam voo e começavam as manobras; as tomadas de fora do cockpit eram feitas por dublês pilotos ou militares americanos; já as tomadas internas, eram os atores os responsáveis por acionar o botão da câmera - eles primeiro apertavam o botão para começar a filmar, acenavam para a câmera dando a entender que faziam a tomada 1, 2, 3 etc., e depois começavam a atuar. Em outras palavras, os atores eram realmente bons! Ter de pilotar, filmar e atuar ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um. Saber disso, explica a sensação de "como é que fizeram isso?" quando assistimos ao filme: é tudo tão realista que você sempre se pergunta se aquilo é real ou feito no estúdio. Está explicado: cada cena aérea de Asas foi feita "ao vivo", com os atores pilotando seus aviões.

Asas foi o primeiro filme a ganhar um Oscar de melhor obra. Se o filme não fosse tão bom, já bastaria dar o prêmio apenas pelas dificuldades que Wellman enfrentou para torná-lo realidade. Felizmente, a Paramount resgatou de seus acervos a película original e fez um trabalho deslumbrante de conversão para blu-ray: a trilha sonora foi toda regravada com a orquestra e a colorização seguiu o que estava escrito no roteiro original, utilizando as cores âmbar e violeta, além de pintar à mão cada frame onde aparecem os tiros de metralhadora dos aviões. Mais do que um excelente filme, Asas é uma verdadeira aula de História do Cinema. Uma aula profundamente recomendada!

Alex Martire




O Artista, 2011.



Eu estava tão ansioso para ver esse filme. Afinal, a crítica tem adorado, a nota no imdb é altíssima, ele ganhou o Globo de Ouro na categoria Musical/Comédia. Tinha tudo pra ser bom. Pois é, "tinha"...

"O Artista" é, até agora, o filme mais entediante, mais chato que vi esse ano. Quer a história? (afinal, "filmes têm de ter história, blá,blá, blá, por isso que odeiam o Malick, blá, blá, blá") Um famosíssimo ator da era do cinema mudo se vê no difícil dilema entre fracassar no mundo mudo ou mudar sua carreira e começar a atuar no cinema falado que surge na década de 1930. Ponto. Tudo bem, o filme é uma homenagem ao cinema (Hollywoodiano, claro), ele vai do cinema mudo ao (insuportável, pra mim) cinema "sapateado". Tudo é muito bonito, o P&B é excelente, a trilha faz jus aos filmes antigos. E acaba nisso. De resto, são 1h30min lutando contra o sono e o marasmo: historinha besta demais, romancezinho idiota demais, uma frase de efeito ao final do filme extremamente desnecessária (melhor seria se tivesse ficado o filme todo mudo).

Sinceramente, não vi profundidade alguma nesse filme. Ele ganhou um dos Globos de Ouro por falta de concorrentes. E, se ganhar o Oscar, é pura e simplesmente por contar uma história de Hollywood, nada mais. "Ah, mas tem a questão da homenagem ao cinema, Alex!" - dirão. Ok, tem sim. Mas, pergunto: é emulando filmes antigos que se homenageia algo? Mil vezes melhor "Cinema Paradiso", aquilo sim é homenagem ao cinema! Nada de emulação, apenas paixão. Dar um Oscar para "O Artista" seria o mesmo que dar um prêmio para um programador que conseguiu fazer com que jogássemos Super Nintendo ou Mega Drive no PC: é legal jogar games antigo? Ô se é! Mas dê prêmios aos originais, não aos que emitam. "O Artista" não passa disso: uma cópia do dilema pelo o qual passou Buster Keaton - esse, sim, um ator genial.

Por sinal, se quer ver filmes realmente bons e que ocorreram nas décadas de 20 e 30, fique com os do Buster Keaton (e dê um voto de misericórdia ao Chaplin, coitadinho): fuja d"O Artista" (a menos que queira um remédio contra insônia).

Alex Martire



 
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